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domingo, 23 de setembro de 2012

A hospitalização infantil

Resumo: A doença e a hospitalização abalam consideravelmente o desenvolvimento emocional da criança. A presente pesquisa tem como objetivo promover uma breve reflexão sobre a hospitalização infantil por meio de uma revisão bibliográfica. Refletindo sobre a internação infantil vê-se a importância de se ter nas dependências do hospital brinquedotecas para que assim, as crianças possam ter momentos de lazer, distração e oportunidades de se elaborar de maneira lúdica seus sofrimentos psíquicos.
Palavras-chave: hospitalização, criança, psicologia.

Introdução

A doença e a hospitalização abalam consideravelmente o desenvolvimento emocional da criança. No que diz respeito à criança doente, deve-se ter uma atenção especial, pois é no desenvolvimento infantil que se estabelece e se constrói a personalidade do indivíduo, qualquer alteração em seu decurso pode acarretar conseqüências na vida adulta.
A criança que é hospitalizada tem dificuldade de compreender o que se passa com ela, de assimilar a doença e os procedimentos médicos necessários para o tratamento, o psicólogo então tem como função auxiliar a criança na compreensão de sua doença e elaboração dos sentimentos que são incitados como o medo, angústia, stress, sentimento de culpa, rejeição e os comportamentos regressivos.
A família também sofre pressão geradora de sofrimento psíquico, necessitando de atendimento psicológico juntamente com a criança que está hospitalizada.
Em suma, esta pesquisa tem como objetivo promover uma breve reflexão sobre a hospitalização infantil por meio de uma revisão bibliográfica.

Desenvolvimento 

A instituição hospitalar surgiu pela necessidade de separar as pessoas doentes dos demais, por supostamente acarretarem danos a sociedade. Segundo Campos (1995) os hospitais tinham como fim a prática do cristianismo onde a caridade era o ponto central. O hospital até o Século XVIII não era visto como um instrumento terapêutico, os sujeitos que ali se encontravam não recebiam tratamento visando a cura, para muitos era o local em que se esperava a morte. Como nos aponta Focault, era um hospital-exclusão.
O hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio, é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para recolhê-lo, quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna. O personagem ideal do hospital, até o século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo. (FOUCAULT, 1979. p. 101).
O hospital nessa época era regido por leigos religiosos que ofertavam assistência, alimentação e além disso cuidadavam do lado espiritual de cada sujeito, a salvação de suas almas. A função médica nesse período não aparecia no hospital, a prática médica era individualista e se baseava somente nas teorias e na medicalização, focava-se no atendimento clínico. No entanto, a tranformação da organização hospitalar ocorreu quando se desfez essa imagem do hospital, o despindo de seu efeito negativo, reorganizando a desordem existente em relação as doenças e passando o médico a ser o detentor de poder na instituição e presença constante no hospital.
Ao longo dos tempos essa visão foi se modificando e hoje o hospital tem como função proporcionar a cura, tratamento e prevenção das doenças a população que necessite de intervenções médicas e assistência á saúde. Entretanto, ainda é forte essa concepção imagética do hospital, visto ainda como algo ruim e amedrontador, principalmente para as crianças que estão em fase de desenvolvimento e que ainda não são capazes em sua totalidade de compreender o real motivo de estarem neste local.
Nos dias atuais, efetivamente, quando se detêm um olhar para a questão da criança que está em sofrimento físico e, consequentemente esta passa a ser internada, “esquece-se” do sofrimento psíquico em que a criança vivencia, devido ao fato de que a preocupação maior dos profissionais da saúde é pela doença da criança, o tratamento e a cura. Os médicos ainda não estão preparados para a escuta dos pacientes e quando se remete ao contexto  infantil essa atenção é primordial.
Questões de ordem emocional e existencial geram irritação entre os técnicos dos serviços de saúde, que tendem a interpretá-las não como problemas de saúde a serem atendidos, mas como resultado da atuação do paciente que não “coopera”. (CAMPOS, 2010, p. 52)
O impacto da hospitalização permeia o imaginário infantil podendo acarretar consequências negativas. Como nos aponta Campos (1995), o sujeito perde sua identidade pessoal, pois a partir do momento em que é internado, este passa a ser mais um número de prontuário, ou até mesmo o indivíduo que tem determinada doença.
A hospitalização é uma experiência que não passa despercebida para o paciente que permanece internado e muito menos para seus familiares e/ou acompanhantes. E quando o assunto é internação de crianças, a reflexão deve ser redobrada, uma vez que a doença e o processo de hospitalização podem comprometer sua integridade física e seu desenvolvimento mental. (MONDARDO, 1997 apud  DIASBAPTISTA , BAPTISTA, 2010, p.179).
Para a criança o hospital é um local visto como hostil, amedrontador e punitivo, por ter regras e proibições que a mantêm em situação passiva diante dos procedimentos hospitalares. Muitas crianças sofrem com a necessidade de intervenções médicas e hospitalares e a aceitação por elas é de difícil compreensão. Segundo Altamira (2010), a criança doente que está fisicamente enfraquecida, sentido dores, tende a ter uma aceitação melhor do processo de hospitalização a medida que lhe traga a diminuição de seu sofrimento físico, aliviando sua dor.
Enquanto que, as crianças que são internadas sem nada sentir, encaram esse processo como hostil, tem mais dificuldade de compreender e aceitar a doença. Ferro (2007) afirma que elas culpam a família e os médicos por suas dores e por estarem naquela situação.
Como citam Cabral e Nick (2006) a infância é o período em que o sujeito está quase que totalmente dependente dos cuidados parentais, e no hospital, a criança é privada do convívio social e familiar passando a ter rotinas duras, e também não tendo explicações sobre os procedimentos médicos e aos exames em que é submetida e, concomitantemente, o indivíduo se defronta com um ambiente carregado de emoções, histórias e casos dos mais diferentes tipos e “sentimentos como vida e morte, cura e sofrimento, qualidade de vida plena e limitada, alegrias e tristezas, entre outros” (DIAS, BAPTISTA; BAPTISTA, 2010, p.179). Sendo necessária em muitos casos a intervenção do psicólogo junto à criança e principalmente a família que sofrem pressão geradora de sofrimento psíquico.
A criança quando hospitalizada incita muitas emoções e sentimentos muitas vezes não vivenciados anteriormente, como o medo, sentimento de abandono, a insegurança, o stress, necessitando assim de um apoio ou até mesmo de intervenção psicológica para que essas emoções sejam canalizadas para algo positivo, não acarretando-lhe conseqüências negativas (FERRO, 2007).
Como enunciado por Moreira e Macedo (2009), é na infância que se configura as primeiras relações sociais, ou seja, na família e na escola, no caso de crianças hospitalizadas essa socialização é importantissíma pois é através dela que a criança passa a compreender e elaborar os mecanismos para enfrentar a doença, trazendo ressonâncias para a vida da criança. Enquanto as crianças constroem nas escolas e ambientes familiares suas relações e interações sociais, a criança doente constrói no ambiente hospitalar seu local de sociabilidade. É importante que o tratamento seja feito de modo a não afetar seriamente suas construções a respeito de si, da doença e das pessoas ao redor, por isso faz-se necessário que os profissionais da saúde saibam lidar com a subjetividade da criança e de sua família, dando respaldo necessário a elas.
Os profissionais da saúde costumam tratar o doente como objetos de estudos, tratando somente a doença e esquecendo-se do próprio paciente que fica á mercê de sua própria doença. Por isso faz-se necessário o programa de humanização da saúde, em que a relação com o paciente e sua subjetividade, seus direitos e valores tem de ser levados em consideração para que assim a facilitação da compreensão da doença e seu enfrentamento possam ser mais bem vivenciados.
A humanização do atendimento ao paciente internado supõe o respeito pela pessoa doente, o reconhecimento de que ele tem uma identidade, uma história, um lugar no mundo, que ele deve ser escutado e atendido nas suas queixas, que não são apenas orgânicas. (NIGRO, 2004, p. 30).
Segundo Lunardi, Lunardi e Backes (2006), os hospitais devem dar suporte,  reconhecer o trabalho  e investir na formação dos profissionais da saúde, valorizando a humanidade do trabalhador para que este valorize a humanidade do paciente e possam juntos encontrar caminhos para encarar o momento vivido. A ética é fundamental.
No filme Patch Adams – O amor é contagioso, Patch interpretado por Robin Williams, é um estudante de medicina revolucionário e inovador, que modifica o olhar para com os pacientes do hospital da universidade em que estuda. Uma  cena interessante que dá margem a uma curiosa investigação acerca do assunto se observa quando, Patch se fantasia de palhaço e no ambulatório de oncologia infantil, tenta evocar risos das crianças, destruindo a imagem de frieza e tristeza daquele ambiente e quebrando o silêncio assustador (Shadyac, 1998).
Muito mais do que cuidar da doença física, a atenção devotada ao paciente, a escuta de suas queixas e angústias são necessárias para que o tratamento tenha eficácia, o paciente necessita falar de sua doença e do que ela lhe acarreta, com as crianças isso ocorre também através das brincadeiras. ”Sem o brincar a criança perde uma das vias de expressão de suas emoções, perde o espaço no qual poderia estar repetindo situações traumáticas e também perde a possibilidade de elaborar esses traumas através dos jogos simbólicos”. (NIGRO, 2004, p. 75).
Através do brincar é possível ter acesso aos conteúdos inconscientes das crianças através da linguagem simbólica por elas emitidas, a observação e a escuta do psicológo se manifesta como instrumento essencial para entender as manifestações latentes que emergem da significação das representações inconscientes da criança em situação de vulnerabilidade. Como nos aponta Ferro (2007), é através do brincar que a criança externaliza seus medos, angústias, tristezas e ansiedades.
Diante disso, implementou-se a lei nº11.104/05 em que os hospitais que oferecem atendimento pediátrico deverão disponibilizar obrigatóriamente brinquedotecas em suas dependências.
Através de ambientes que proporcionem a criança o brincar e a interação espontânea com as demais crianças de sua idade ela irá compreendendo as fases de tratamento em que é submetida.Transformando assim, uma simples brincadeira em um instrumento terapêutico, capaz de potencializar e auxiliar na adaptação emocional da criança no contexto hospitalar, promovendo a qualidade de vida e reduzindo os aspectos que norteiam as variáveis negativas presentes no hospital.
Segundo Santos (1999) e Altamira (2010), é na infância que se estabelece e inicia todo o processo de sustentação de uma saúde mental satisfatória, sendo extremamente necessário ter um olhar especial a essa fase, pelo fato da criança estar vivenciando um momento de grande desenvolvimento, devendo ser bem orientado para que não lhe traga conseqüências negativas.

Considerações Finais

A criança quando está em sofrimento físico e consequentemente necessita ser hospitalizada, se vê diante de uma nova situação em que além do sofrimento causado pela doença, sofre também devido o afastamento familiar e social. Assim, a criança passa a experenciar sensações e sentimentos novos como o medo, stress e comportamentos regressivos.
Além do tratamento médico a criança e seus familiares necessitam também de atendimento psicológico, para que dessa forma possam ter uma melhor compreensão e adaptação da situação dolorosa que vivenciam.
O psicólogo como agente da promoção a saúde trabalha não só com a prevenção mas durante todo o tratamento da criança no hospital, no intuito de amenizar os estímulos estressores e também para que a permanência no hospital tenha além dos procedimentos médicos comuns, momentos que propiciem a criança lazer, distração e oportunidades de brincar favorecendo assim, a melhora no tratamento.

REPRESENTAÇÃO SOCIAL

O conceito de Representação Social foi trazido ao meio acadêmico por Serge Moscovici, numa retomada que desenvolveu uma teoria das Representações Sociais no campo da Psicologia Social. Foi este francês quem primeiro usou a expressão Representação Social que, no seu estudo, dirigia-se a representação social da psicanálise. Seu objetivo era apresentar os resultados de uma pesquisa em que procurou compreender de que maneira a psicanálise, divulgada pela mídia fora dos grupos específicos, era vista pelos segmentos populares da sociedade.  Jodelet tornou-se a principal divulgadora do trabalho de Serge Moscovici  fazendo, assim, evoluir o conceito de representação social aqui entendido como um saber do senso comum sobre o cotidiano do sujeito.
Celso Pereira de Sá (1996), sobre a explicação teórica das Representações Sociais, diz que
Moscovici (1976), em uma de suas muitas “quase definições” das representações sociais enfatiza o caráter distintivo da dimensão funcional do fenômeno, argumentando que tanto a consideração da gênese social das representações quanto o fato de elas serem socialmente compartilhadas não seriam suficientes para distingui-las de outros sistemas de pensamento coletivo, como a ciência e a ideologia. O termo “representação social” deveria ser, portanto, reservado para aquela modalidade de conhecimento particular que tem por função [exclusiva] a elaboração de comportamentos e a comunicação entre indivíduos (p.26) no quadro da vida cotidiana (p.43).
Ainda de acordo com Sá, Moscovici mostra que essa especifica ênfase funcional é justificada quando ele diz que o mais importante na representação social é que ela “produz e determina comportamentos, visto que define ao mesmo tempo a natureza dos estímulos que nos envolvem e nos provocam e a significação das respostas a lhes dar” (ibid.) (p. 43)
Frequentemente o conhecimento científico é colocado em contraposição ao conhecimento popular, o chamado senso comum. Supõe-se que o conhecimento científico traz a verdade mais exata e, o do senso comum, a menos exata. Vale lembrar que é o conhecimento do senso comum que, na maioria das vezes, conduz os comportamentos. Segundo Moscovici (1978), o senso comum deve ser analisado como uma percepção da realidade social, ainda que sob a influência da tradição e dos estereótipos da linguagem. Ornellas(2010) diz que
A representação social é um conhecimento do senso comum e é formada em razão do cotidiano do sujeito. É uma abordagem que se encontra hoje no centro de um debate interdisciplinar, na medida em que se tenta nomear, fazer relações entre as construções simbólicas com a realidade social. (p. 15)
Ou seja, é um olhar direcionado à leitura e compreensão dos símbolos presentes no cotidiano (ORNELLAS, 2010, p.15).  A mesma autora ainda afirma que a teoria conta com a interligação entre cognição, afeto e ação na construção da representação e esta, como um processo mental, reveste-se de um sentido simbólico (2001, p. 34). Tal dito faz compreender que  Representação Social e afetos se entrelaçam na medida em que o sujeito se constitui, a partir do que assimila e interpreta do seu cotidiano.
De acordo com Gama, Santos e Fofonca, numa releitura de Moscovici (1978) a representação social refere-se ao posicionamento e localização da consciência subjetiva nos espaços sociais, e visa conceituar as percepções dos sujeitos. Assim as representações de um objeto social passam por um encadeamento de fenômenos que interagem entre si e constroem uma idéia sobre eles. Foi nessa construção que Moscovici analisou os processos em que os sujeitos elaboraram explicações sobre questões sociais e a ligação que tais elaborações tem com o que é processado pelos meios de comunicação, pelos comportamentos e pela organização social.  Ornellas diz que ao estudar o sujeito em processo de interação com outros sujeitos, a Representação Social
... expressa uma espécie de saber prático de como os sujeitos sentem, assimilam, aprendem e interpretam o mundo, inseridos no seu cotidiano, sendo, portanto, produzidos coletivamente na prática da sociedade e no decorrer da comunicação entre os sujeitos. (2010, p.16)
Assim, pela fala da autora, se percebe que as representações sociais são modelos de pensamento prático, cuja abordagem enfoca situações de interação social e a entrevista é uma delas, sendo ao mesmo tempo uma ferramenta para coleta de dados e um evento de (inter)ação dos sujeitos.
No estudo da representação social deve-se proporcionar ao sujeito a fala e a mostra do seu discurso. A abordagem deve ser qualitativa, pois não se procura mensurar quantidades de pensamento, imagens ou objetos, mas a forma com que estes estruturam o sujeito, buscando essa percepção na apreensão do movimento social e no discurso, que configura também um sistema de interpretação da realidade.

Ser Professor: Bem Me Quer, Mal Me Quer

O exercício docente, na contemporaneidade, tem sido alvo de grandes discussões no que tange aos afetos que provoca no profissional e, consequentemente, em todo o ambiente escolar: a presentificação de bem estar ou de mal estar na escola, o que aqui metaforizei com o bem me quer, mal me quer.  Não raro, no trabalho do professor, é possível presenciar e/ou vivenciar eventos que desencadeiam afetos prazerosos e desprazerosos que demonstram, seja de forma clara ou velada, que o mesmo profissional vive os dois lados da moeda, gozando em fases distintas o bem estar e o mal estar no ambiente em que atua. A díade professor–aluno é o grande cerne da questão: seria o aluno o principal motor para as sensações prazerosas ou desprazerosas que afetam o professor na escola? Ornellas (2010) nos diz que afeto na relação professor-aluno em sala de aula é fundante para o processo de aprender (p.14) e, promover e mediar aprendizagens é o objetivo do professor que, não raro, se vê frustrado nesse seu objetivo.
O horizonte trazido pelo desenvolvimento deste tema é maior que o de perceber quais afetos se inscrevem no exercício do professor; vai além, na busca de perceber quais são os afetos predominantes nas escolas e qual a representação social da escola pública municipal para estes profissionais. Assim, é a partir da investigação sobre quais os afetos circulam dentro deste ambiente escolar que busco compreender qual a representação social que estes atores – professores – tem da escola pública neste início de década. Como afirma Ornellas nesta mesma obra, a escuta do que acontece na escola, nos enlaces feitos, desfeitos e refeitos na relação professor-aluno é marcante para que se perceba que a transferência de afetos entres os pares, neste ambiente, define e determina o clima afetivo ali existente (p.14).
 Partimos do pressuposto que o ser humano vive em busca do prazer e do próprio bem estar. Segundo Freud,
...existe na mente uma forte tendência no sentido do princípio do prazer, embora essa tendência seja contrariada por certas outras forças ou circunstâncias, de maneira que o resultado talvez nem sempre se mostre em harmonia com a tendência no sentido do princípio do prazer   (2006, p.19).
O que leva, então, os sujeitos que fazem a escola acontecer a permanecerem em um clima desprazeroso, quando o natural seria buscar o bem estar, mesmo que matizado de mal-estar?
Sabe-se, como citou Alves e Aredes (2007), que o trabalho humano possui duplo caráter, sendo por um lado fonte de realização, satisfação e prazer, estruturando e conformando o processo de identidade dos sujeitos, podendo, por outro lado, se transformar em elemento patogênico, tornando-se nocivo à saúde. A grande questão a ser respondida é: qual é o lugar em que o professor da escola pública municipal de Salvador se coloca enquanto trabalhador da educação? Qual a idéia que este profissional tem da escola onde atua?
Como em todo trabalho humano, o ofício de professor é um investimento em que se busca retorno prazeroso, tantas vezes não obtido por alguns. O professor é, de fato, de muita complexidade, como disse Nóvoa  (2001). Hoje, ele tem que lidar não só com alguns saberes, como era antes, mas também com a tecnologia e  com a complexidade social, o que não existia no passado, gerando atualmente uma demanda de tempo e saberes não oportunizados a estes profissionais.
Penin e Martinez (2009) em sua pesquisa sobre a profissão docente afirmam que se escuta de professores relatos de angústias e frustrações, de dores e de sentimentos de impotência, nas dificuldades de relacionamento e nas tensões do dia a dia, provocando claramente o mal estar existente na escola, o que implica a construção de uma representação social do espaço escolar cada vez menos positiva. 
Atualmente existem muitos pesquisadores dedicados a identificar os fatores que causam o bem estar e o mal estar no meio escolar, mais especificamente no professor. Outeiral e Cereser (2005), Ornellas (2005), Kupfer (2000), Penin e Martinez (2009), Neves de Jesus (1998), Picado (2009) e Marchesi (2008), dentre outros, trazem estudos sobre este tema ou relacionados. De acordo com Picado (2009), são diversas as perspectivas psicológicas em que o mal-estar docente é estudado, e vão desde o adoecimento psicológico (ansiedade), a discrepância entre o que gostaria de ser e o que realmente é enquanto profissional, até a gestão mal sucedida dos problemas que detecta na situação e os recursos que possui para lhes fazer frente; vê-se, de fato, que o estudo de tais fatores é imprescindível para a melhoria da qualidade da educação e para a definição do bem estar, ou mal estar, do professor e dos demais personagens que circulam pela escola.
Assim como Penin e Martinez, existem outros estudiosos que estão focando a questão do bem estar do professor, numa tentativa de enfatizar os aspectos positivos da profissão, trazendo à tona os indícios de afetos gratificantes e prazerosos na perspectiva de saber conviver com os afetos desprazerosos estabelecidos neste exercício. Não cabe permitir que indicadores negativos encubram aspectos que comprovam a existência de prazer na profissão, pois são exatamente estes aspectos positivos que estimulam a prática de qualidade; identificar os motores deste bem estar é de extrema relevância, pois ativá-los e promover seu exercício proporciona ao professor condições favoráveis à resolução de questões pessoais e profissionais, tornando-o um bom gestor de conflitos, inclusive dos seus, para que possa gozar de forma saudável os afetos ambivalentes suscitados na sua prática, descobrindo assim a dor e a delícia de ser professor.
Constata-se que poucas profissões no Brasil tem sido tão debatidas quanto a docente, especialmente o Ensino Fundamental. Cortizo investe numa pesquisa cujo objeto passa pela análise dos efeitos da escuta dada ao professor; negada esta escuta, a autora mostra que o
...professor acaba sintomatizando no corpo o que a fala não foi capaz de verbalizar, o que, em certa medida, se torna manifesto nas relações que tece com o aluno...” (2010, p. 203-204).
A mesma autora pesquisa a libido e a ausência desta no fazer pedagógico do professor. Lapo também investe na pesquisa do bem estar, e seu trabalho teve como principal objetivo identificar os fatores e compreender as dinâmicas que geram e mantém o bem estar docente, bem como reconhecer o que motiva o desencanto da profissão. Jesus (1998) apóia a sua obra na análise dos fatores principais que promovem a segurança e o prazer do professor no seu exercício profissional.
Pela quantidade de estudos atuais sobre a questão do mal estar do professor, consideramos necessário investigar se este sintoma é refletido em todo o ambiente escolar; percebemos como exigência analisar o oposto: o bem estar docente, que tanto é reflexo como pode também fazer reflexo para a comunidade escolar, tornando-a um espaço equilibrado nos seus afetos prazerosos e desprazerosos. É este circular por esta ambivalência de afetos que valida esta pesquisa, pois não raro o professor vive sentimentos opostos de prazer e desprazer no seu exercício, o que foi claramente constatado nas investigações, e que determina a representação social da escola para este profissional.
Segundo J.M. Esteve (1999, p. 25), o mal estar docente é como “os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas em que se exerce a docência". Mais que isso, o mal estar na escola é um reflexo do mal estar do professor, que é uma resposta ao estresse, a insatisfação salarial, o absenteísmo que, em muitos casos, leva à depressão. A docência se constrói num continuum e envolve, além dos aspectos acadêmicos, as experiências pessoais de cada sujeito, suas representações e seus afetos. É um caminho mediado pela continuidade e pela descontinuidade das vivencias pessoais e profissionais.
De acordo com Picado (2009), o mal estar docente refere os sentimentos de desmoralização, de desmotivação ou de desencanto que emergem nos professores. Resta saber o que desencadeia estes indicadores.
Sabemos que normalmente as experiências negativas ocorridas na escola são amplamente divulgadas, corroborando para intensificação deste mal estar tão fortemente sentido e discutido. Já as experiências positivas...  Os projetos que avançaram, os atos de boa vontade e as demonstrações de afetos prazerosos, estes ficam ocultos.  E, nesse fazer pedagógico, Eros e Thanatos se enodam trazendo à tona afetos opostos que vão e vem, pendularmente, no mesmo sujeito, construindo a sensação de que tudo pode ser resolvido num despetalar de margaridas: bem me quer, mal me quer.

Possíveis (In)Conclusões

O sujeito nasce na trama desejante, marcado pela falta e não pela plenitude, mas a busca por atingir tal plenitude é o que move incessantemente os sujeitos. Assim, questionamos sobre os aspectos motivadores para o fazer pedagógico e sobre os inibidores deste mesmo fazer, chegando à conclusão que, mesmo com tantas falas sobre o mal estar existente nas escolas, professores são sujeitos que buscam afetos positivos nas suas relações com todos os atores que circulam no ambiente escolar, principalmente com o aluno. Para o professor, a escola é um ambiente de aprendizagem e crescimento, onde pode haver harmonia e predominância de afetos prazerosos. O professor busca, de fato, afetos positivos em seu trabalho; quando os encontra, seu estilo de ensinagem doura-se num brilho que se reflete em todos os atores deste espaço. No entanto, quando não há predomínio destes afetos positivos, a escola municipal torna-se um ambiente hostil. Aqui se procurou identificar os afetos ambivalentes que movem os professores das escolas da rede pública municipal de Salvador em seu trabalho e na relação professor-aluno no processo de ensinar e aprender, observando a relevância dos afetos imbricados nesta relação como fator preponderante para a construção e manutenção de um clima de afetos prazerosos na escola.